Erigido sobre o elogio da crítica, datada de tempos que já não se contam mais, o Convento da Crítica pertence à Venerável Ordem da Ironia Pura. Estivemos lá onde o Sol faz a curva, onde os Templários guardaram segredos de Jesus e Maria Madalena e na Última Ceia, quando os dois se sentaram juntos. Sob nosso tecto gótico jaz o Santo Graal sob todas as suas formas. Junte-se a nós e venha beber do cálice da ironia e da crítica. Mas sussurre...para que o Vaticano se esqueça de nós.
 


janela política#1 Esse Costume Inusitado Tão Português



ão é preciso que se ouça cada debate político, não é preciso ser muito inteligente ou estar sempre a par do que se passa neste país inusitado, basta que se conheça um pouco de cá para que se saiba o que os políticos por cá fazem.
E é um costume transversal português, esse amargo hábito de culpar ou os antepassados ou os vindouros. Ou porque isto e aquilo está assim porque os que vieram antes deixaram numa lástima, ou porque os mais novos não sabem o que fazem.
É na política governamental que mais isso está patente, só não vê quem não quer ver. E não venham dizer que o Convento é um blog de esquerda que ataca a direita a torto e a direito, ou que está aqui só para exorcizar os maus pensamentos cavaquistas.
Governo após governo, de centro-esquerda ou de direita, comete o mesmo erro, porque ser português é como disse Miguel Sousa Tavares "procurar desculpas para a derrota antes de tentar a vitória".
E depois lá os ouvimos dizer, todos formados na mesma escola: Real Escola Política dos Medíocres, a mesma coisa, o país está de "tanga" porque o governo anterior não fez, ou fez, isto, aquilo e acoloutro, de tal maneira que se passam sucessivos governos a atacar os anteriores ao invés de tentar encontrar reais soluções.
E lá segue o país, nesta medíocre vivência política, culpando o passado, desculpando o presente, de tal maneira que creio que um dia culparão D. Afonso Henrique por ter sonhado ser independente.

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Janela Aberta para os Opinion Makers: Miguel Sousa Tavares




ais um campo em que o país é deficitário. Na correcta formação da Opinião Pública (OP) é necessário que o povo seja informado e formado, conduzido e alertado para que seja capaz de formar uma opinião sobre os assuntos mais importantes e fracturantes.

E este espaço servirá para deitar um olhar sobre os Opinion Makers, "os fazedores de opinião". E começo com Miguel Sousa Tavares. De entre os demais é aquele que mais gosto. Tenho direito à minha opinião, não deixando de estar presente uma carga subjectiva.

Portista ferrenho não deixa de não deitar uma farpa séria ao seu clube e à gestão do seu presidente e treinadores. Político, é um crítico sério do estado apático do país.

Aquilo que mais o torna diferente dos demais nomes que surgem nos media é a sua clara capacidade e coragem, enquanto opinador independente, de ser um analísta cirúrgico. Miguel Sousa Tavares toca nos pontos chave sem olhar a lobbies ou a nomes. É incisivo e esfíngico.

Conselho de leitura: "Os comentadores e os media" de Rita Figueiras, professora de Sociologia da Comunicação na Universidade Católica de Lisboa.

(informa-se que este blog não vai de modo algum acabar, está de boa saúde e recomenda-se. O Inusitado é um blog que visa ser colectivo motivo pelo qual foi questionado aqui sobre interessados co-autores. Obrigado pela atenção).

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quem é que está verdadeiramente interessado em vir escrever para aqui? Para já começa como um blog internacional, com um 1º co-autor de além-mar...Entretanto vão lendo (quem não leu) o post abaixo, que eu não sei quando volto a postar...pelo menos não sei se terei tempo no fim-de-semana...farei os possíveis por consideração aos meus estimados e amavéis leitores...um bem hajam...

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momento é mais do que oportuno, segundo creio, para que este post seja criado.
Às turras andam eles, quais gladiadores na arena, em trocas de palavras que o vento leva e o ouvinte esquece. É de novo o tempo da prostituição política. Não vou falar mais uma vez deste ciclo português de revivalismo, vou falar do voto em si mesmo.
Quando o cidadão se dirige às urnas como vota ele? No partido em que acredita? No partido de oposição só para castigar os que lá estão? A pensar no bem comum? De forma útil? Ou nada disto?
Coloco em mesa três formas de voto: útil, comunitário e partidário. O voto útil é aquele que damos ao menos mau dos candidatos, ao que se presume que seja o vencedor mais indicado para além da nossa preferência. É quando se voto no PS só para o PSD não ganhar, e somos do CDU. É um voto correcto? Não sei mas leal não é. Ainda assim é o voto mais corrente, o mais pragmático. É aquele voto que sabemos que faz a diferença quando estamos consciente que o nosso partido de eleição não vai levar a dele avante.
O voto comunitário é aquele que resulta de uma análise cuidada dos programas eleitorais e de uma atenta compreensão das necessidades da comunidade. O voto que não existe.
Depois temos então o partidário, o mais eloquente, o levado ao coração, o que resulta das crenças políticas puras. É quando votamos PS consciente, CDU, CDS-PP, PSD, etc, porque é o partido da nossa ideologia. É o voto fiel aos nosso princípios, mesmo quando sabemos que o partido não tem expressão.
E que voto fazem os portugueses? Um misto de todos e um pouco de nenhum. A maioria vota nos rostos e na melhor estratégia de marketing político, ou seja, naquele que for melhor vendido. Vota também na oposição para demonstrar o seu desagrado para com os governantes, mesmo quando lá no fundo pensam "a merda é a mesma".
O verdadeiro voto, o consciente, o fiel a princípios ainda não está automatizado e consciencializado...se estive será que o CDU não teria mais votos? Afinal já ouvimos dizer várias vezes "voto PS porque sei que os comunistas não podem ganhar!"
Iremos um dia chegar ao voto político puro?

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Tema Fracturante#7 Tráfico de órgãos e venda humana: no limiar do terror




século XX despertou a utopia da modernidade e do global, do conforto e da maximização humana, mas com ele trouxe também o limiar do terror, a desconfiança extremada e o lado mais negro do mercantilismo.
Tudo é susceptível de ser vendido e comprado segundo a “santa” lógica comercial, não há mais mãos sujas, tudo é cristalino, é uma troca entre o vendedor e o comprador.

Até que ponto a vida humana é negociável? Quanto vale uma parte de nós? Quanto estão dispostos os ricos a pagar por um órgão de um jovem?

O comércio humano é uma realidade desta nossa era. A medicina possibilita salvar muitas vidas e ceifar outras tantas. Os órgãos humanos são produto com vasto mercado e há por aí muitos dollars e afins dispostos a ceder ao desespero ou conquistar a eternidade. E o desespero não chama só o comprador como o vendedor, anónimos há que, no desespero de uma vida que têm de levar, vendem aquilo que têm: eles mesmos.

Quantas senhoras e senhores ricos, deste e daquele país, ansiosos por viver mais uns anos em plena saúde, não compraram no mercado negro corações de jovens acidentados, que a troco de dinheiros são deixados morrer? E os jovens encontrados em depósitos de lixo sem órgãos, literalmente vazios por dentro?

Desenganem-se os que julgam que a prostituição não é um tráfico ou uma venda humana. Quantas mulheres do nada se vêm envolvidas nesta rede sem fim que é a prostituição? Imigrantes enganadas a troco de uma vida melhor e um emprego estável num novo país, jovens metidas nesta vida pelos pais ou namorados…crianças indefesas tomadas pela força da violação e prostituição inconsciente…

…afinal a vida humana não vale mais do que o valor que lhe damos a cada momento…

Podemos fechar os olhos e dizer que vivemos num mundo bom mas sabemos o quão mentira isso é…fecharemos, então, eternamente os olhos?

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À Janela dos Costumes: O Circo


(à janela dos costumes analisando o (sur)real)
(Para quem gosta de futebol aconselha-se o post anterior)
s usos e costumes da nossa sociedade foram-se alterando (em larga escala degradando-se) progressivamente. Costumes e hábitos foram sendo aquiridos, enquanto outros foram sistematicamente esquecidos, e como o "hábito faz o monge" a sociedade vai-se alterando.
Um costume muito natalício português, elemento do nosso imaginário tradicional, que se vem perdendo aos poucos e poucos, é a ida ao Circo.
Gerações e gerações cresceram com o circo no olhar, crianças sonharam fugir com o circo e viver aqui e ali, sem rumo, sem tecto que não o do luar...
Mas o circo vem perdendo a sua clientela, atravessa crise profunda, não tem apoios nem subsídios, e famílias que não sabem se não daquele ofício estão com a corda na garganta.
Longe vão os tempos em que as empresas ofereciam bilhetes as empregados para irem com a família ao circo, longe vão os tempos em que o circo era parte do quotidiano nacional...
Hoje o circo é outro, os centros comerciais aos domingos, o passeio que era do saloio é agora o passeio destas almas penadas lusitanas...

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Chuteira da Crítica o caso Real Madrid




uxemburgo foi despedido e mais uma vítima do jogo psicológico dos adeptos e acima de tudo uma vítima da estratégia da direcção.
Florentino Peréz quando assumiu o comando directivo dos "merengues" prometeu rechear o plantel de estrelas, os adeptos encheram o peito de emoção mas viram escapar Ronaldinho Gaúcho para o Barcelona. Comprou-se Zidane, Figo, Ronaldo, Beckham e Robinho para vender camisolas, enquanto o enquanto a estrutura do plantel era passada para segundo plano.
O próprio presidente já foi claro "o mais importante é o encaixe financeiro resultante do merchandising...ganhar competições é irrelevante."
E mesmo que considerasse prioritário a conquista de troféus, a estratégia adoptada não é certamente a melhor, afinal comprar jogadores só para atacar não é solução.
O Barcelona foi campeão e vai ser campeão. Tem uma direcção que pensa nos resultados desportivos acima de tudo, em comprar para o lugar certo, e ainda assim continuam a ter "vedetas", aliás, a vedeta número um: Ronaldinho Gaúcho.
Agora fala-se em Capello, Rafa Benítez ou José Mourinho para treinar o Real Madrid. Deixem-me rir! Nenhum destes nomes está para trabalhar com uma direcção que funciona em ditadura de aquisições. Imaginam Mourinho neste Real? Claro que não! Quem defende? Quem sustenta o meio-campo? Quem trabalha para a equipa? Basta lembrar que Makélélé era o sustento da família merengue, a mão invisível que comandava o barco e o mantinha em equilíbrio...e agora onde está ele? No Chelsea pois claro!
Em suma, o Real Madrid está em crise por culpa da sua direcção descontextualizada, incapaz e desatenta. Os adeptos não abrem os olhos para isso e culpam atletas e treinadores. É hora de fechar o ciclo Florentino e iniciar outro...

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Tema Fracturante#6 Referendos à população: sim ou não?



uito se discute sobre a real relevância dos referendos no contexto político e cultural português. Ora, se por um lado a resposta pode parecer tender para o "sim", o "não" não deixa de ter os seus argumentos. Isto deixa-nos num impasse.
O referendo, constitui, um modo verosímil de se conhecer as motivações populares face a um tema fracturante e actual, cujas repercussões se extendem ao panorama político português. Neste contexto, parece então claro que o referendo junto das populações, é um garante de uma democracia participativa, na qual o posicionamento dos cidadãos face ao problema que se coloca, é de capital importância.
No entanto, a realização dos referendos não pode ser independente de uma concreta formação da opinião pública, consciente e alertada para a importância da discussão originária do referendo, e neste sentido o "não" ganha vitalidade. Certo é que um rápido olhar sobre o panorama cultural adquirido português, chega para que se entenda os que defendem o "não". Mas este "não" não pode nem deve ser eterno, a sua legitimidade termina na plenitude da formação da opinião pública consciente, como salvaguarda de uma correcta apreciação das motivações nacionais.
Neste contexto, referendo sim, para já não.
Alguém quer tomar o púlpito e regar-se de água benta da Ironia?

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† Aba do Eremita

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  • De um convento em Lisboa, Portugal
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  • O que faço aqui e quem sou?
  • Ofeliazinha - Devaneios do Quotidiano
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  • Papagaio de Janela
  • Pastelaria a Bolsa
  • Pé de Meias
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    † Romarias Críticas

  • Rasgadas utopias - tecelão de mitos
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