Erigido sobre o elogio da crítica, datada de tempos que já não se contam mais, o Convento da Crítica pertence à Venerável Ordem da Ironia Pura. Estivemos lá onde o Sol faz a curva, onde os Templários guardaram segredos de Jesus e Maria Madalena e na Última Ceia, quando os dois se sentaram juntos. Sob nosso tecto gótico jaz o Santo Graal sob todas as suas formas. Junte-se a nós e venha beber do cálice da ironia e da crítica. Mas sussurre...para que o Vaticano se esqueça de nós.
 


janela para a blogosfera#1


(1000 olhares a abrir a janela do Convento)
O que é um blog de qualidade ou de referência? A notoriedade do autor? Os conteúdos? O tratamento informativo?
Existem blogs como o Indústrias culturais do Prof. Rogério Santos que possuindo bons conteúdos, tratados de forma séria, com um autor de relevância na blogosfera não é um caso de sucesso. Não tem comentários, não problematiza os assuntos, informa...é um blog hermético e cinzento.
Depois existem os blogs de jornalistas que usam a blogosfera como extensão da sua análise jornalística e vão mais longe, opiniando abertamente, é isso que é um blog.
Ainda assim, o que os torna melhores que os restantes blogs?
Certamente existem blogs anónimos com conteúdos tão ou mais bem tratados. Deixo-vos com esta mas antes quero dizer: os eruditos dos blogs colocaram a blogosfera, originariamente democrática, num nível de mediatização séria, de medio de comunicação social fechado, criaram um fosso entre o que eles entendem ser bom bloguismo (o deles) e o restante...anónimo.

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faz hoje 70 anos



Faz hoje 70 anos que a poesia disse adeus ao poeta das múltiplas personalidades. A poesia, a arte, as letras, ficaram mais pobres com o adeus do génio, mas ganhou-se a eternidade dos seus versos.
Deixo-vos com alguns poemas de Pessoa:
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.
Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Sou um guardador de rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro
Quer ler mais poemas de Fernando Pessoa? É aqui.
Entretanto, para quem gosta de pensar os media, dê um salto à Abadia.

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catequese deslocalizada#2


A organização Repórteres Sem Fronteiras criou um ranking de Liberdade de Imprensa. Quer saber em que lugar ficou Portugal e o que pensa o Eremita disto tudo? Confira já - www.abadia-dos-media.blogspot.com.

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OLHAR BLOGOSFÉRICO#2 Gato Fedorento




Para hoje nada como o Gato Fedorento. Se o Abrupto é o blog mais bloguista deste nosso país, o Gato Fedorento é o blog que serviu para efeitos de OTL que se tornou num sucesso.
De onde vem este sucesso? É incontornável que o Gato Fedorento marca o actual panorâma humorístico nacional. Ao jeito Monthy Pyton entrepretam as suas próprias piadas, afinal, quem melhor do que eles para o fazer?
Iniciando a carreira nas Produções Fictícias rapidamente se destacaram pela originalidade dos seus textos e são hoje incontornáveis.
Certo é que o GF se tornou um febre, é dvd, é livro, é tv,enfim, é sucesso. E por mim que digamos que há piadas deles que fazem lembrar as nossas reuniões de amigos uma coisa é certa: eles estão lá nós não.
O blog que nasceu como um local onde escreviam piadas não aprovadas para sair pela boca de humorístas tornou-se um local de propaganda de espectáculos. Legítimo? Claro. Desleixo? O mais possível.
Num piscar de olhos: renovaram o humor em Portugal e quer gostemos quer não são já alicerces do nosso panorâma telivisivo e mediático.


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faleceu o 5º Beattle



O futebol internacional ficou mais pobre, a história do desporto ficou regada de lágrimas eternas, porque foi-se George Best.

O antigo craque do Manchester United sucumbiu a doença prolongada, vítima do álcool, herói dos excessos.
Deixo-vos com algumas frases desta lenda:
"Gastei o meu dinheiro em mulheres, carros e alcool, o resto foi desperdício".
"Não gosto de José Mourinho, é bonito demais, faz-me concorrência".
"Se me perguntassem o que me daria mais prazer: marcar ao Liverpool ou dormir com a miss universo não sei o que escolheria. Felizmente fiz as duas".

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Tema Fracturante#5 Hábitos de Leitura em Portugal



Apesar de Portugal apresentar um IVA de 5% sobre os livros, valor superior ao verificado nos países nórdicos, por exemplo, não é por tal facto que a leitura em Portugal anda pela hora da morte.
A colecção Milfolhas do jornal "O Público" vendeu em 6 meses, no ano de 2002, 2 milhões de livros.
Ainda assim, grosso modo, estamos perante um logro. Mesmo juntando a isto o volume de vendas da FNAC de 2.000 livros por dia, está claro que existe um fosso entre o acto de comprar um livro e o acto de o ler.
É portanto falacioso afirmar que em Portugal imperam bons hábitos de leitura. Quando a média europeia, no ano de 2002, apontava para os 60%, a taxa de leitura em Portugal não ia além de uns míseros 32%, isto para a leitura de um livro por ano.
Em 2003, 56% dos inquiridos não tinham adquirido qualquer livro para ler nas férias. Ora se a época balnear(altura de férias por excelência) é o momento oportuno para que se adquiram ou retomem hábitos de leitura, e se o resultado obtido é este, então, podemos considerar gritante o panorâma cultural literário nacional.
E o pior é que nem jornais, as "ilustres" almas lusitanas, tomam por opção de leitura. Então porque motivo em 2004 foram colocados nas prateleiras mais de 16.000 novos títulos? Por uma razão muito simples: os portugueses não lêem mas compram livros. Contraditório? Não creio. No país das aparências quem compra um livro é culto, quem o lê, coisa rara, é intelectual.
Alguém quer-se confessar?

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OLHAR BLOGOSFÉRICO#1 Abrupto




O meu primeiro olhar blogosférico recai, como não poderia deixar de ser, no blog Abrupto de José Pacheco Pereira.
Blog incontornável na blogosfera nacional, o blog que pôs toda a gente a falar de blogs, a escrever blogs, o blog que trouxe os blogs para o palco mediático.
Causas do sucesso? Em primeiro lugar estamos a falar de um blog cujo autor não é de modo algum anónimo, não precisa de conquistar credibilidade junto dos outros bloguistas, não precisa de conquistar leitores, estes são lhe dados desde o início, é só sentar e escrever.
Pacheco Pereira goza, assim, de uma aúrea positiva, de um estado de graça e confiança inalienável. Político, comentarista político, ex-líder do PSD, o autor do Abrupto tem tudo para que o seu blog seja uma referência.
De tal modo que pode-se dar ao luxo de deixar apenas um poema de outrem, uma frase solta, que é aplaudido de pé.
Ainda assim é um blog importante, que deixa opiniões claras, nem sempre controversas ou mais do que informativas. Talvez não seja o melhor blog mas é certamente o blog mais lido, não deixando de ser de uma muito boa qualidade.
Sobre o autor, Pacheco Pereira define-se como um "leitor compulsivo" chegando a sofrer de "síndroma de abstinência se ficar privado de boas leituras".
Num Piscar de Olhos: um blog de referência para quem é adepto deste universo, cuidado, com opiniões válidas, mas nem sempre deixando ideias claras.

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CONVENTUALIDADES INTERNACIONAIS#1 UE pede explicações aos EUA



A União Europeia prepara-se para pedir aos Estados Unidos esclarecimentos formais sobre as alegadas prisões da CIA no Leste Europeu (Roménia e Polónia) e alguns estados do Oriente. Recorde-se que esta bombástica revelação foi avançada pelo Washigton Post. Ao que parece a administração americana admite a existência destas prisões, com toda a naturalidade, negando contudo a ocorrência de torturas sobre suspeitas de ligação à Al-Qaeda.
Ora, se o objectivo das referidas prisões não é "tomar o pulso" aos detidos, sem que lhes seja imputada responsabilidade no território americano, então porque raio vão para estes país colocar os presos? Será por medo que eles fujam?
Certamente que não! A administração Bush está-se a revelar, passo a passo, um erro histórico capaz de marcar os inícios deste nosso século. Todas as decisões importantes são pautadas pela má escolha, pelo erro, pela infertilidade intelectual.
Não é de modo algum de estranhar que acontecam situações destas. Eu não censuro a guerra ao terrorismo, censuro sim os moldes em que ocorre. No caso concrento não é de aplicar a presunção de inocência? Ou por serem islâmicos, suspeitos, são à partida culpados? Isso não é uma forma de terrorismo judicial?
Paroquianos, quero ouvir-vos!

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INTUIÇÕES#1 A beleza é um valor universal?




O tema para hoje é a beleza enquanto valor universal. A questão abrange diversas vertentes da realidade socio-cultural global. McLuhan afirma o mundo enquanto uma "aldeia global", mas será que pudemos falar em valores universalmente aceites? Parece-me que não. Se os países desenvolvidos e mais próximos do universo mediático estão em comunhão perante o que consideram ser a beleza feminina estabelecida nas modelos e actrizes do cinema, factor que fez proliferar as operações plásticas e a frequência em ginásios, bem como a beleza masculina do homem musculado, existem países onde a beleza é definida pelas formas arredondadas e volumosas.Mas será assim para toda a gente?
Parece-me óbvio que não. O que é belo para mim não é obrigatoriamente para o Francisco e vice-versa, e é essa essência do simultaneamente universal e individualmente considerado como beleza que faz o amor e o desejo existirem.
É então real que existindo uma beleza universalmente pré-estabelecida ela não serve para todos, e é essa não-absorção de preconceitos socio-definidos que faz as coisas acontecerem, porque a atracção sente-se e não se escolhe sentir.
Caros paroquianos a jovem da foto foi eleita a noviça do ano pelo que espero que respeitem as suas qualidades...de devota.
Alguém quer subir ao pulpito?

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Tema Fracturante#4 Dilema: Indivíduo/Comunidade



O posicionamento de um indivíduo na sua comunidade está dependente da forma como ele a vê. É o olhar do leitor social que define que espécie de actor social ele quer ou pretende ser.

Partindo do pressuposto de que o sujeito é um actor social sem comportamentos que possam ser tidos como desviantes, ser político (no sentido de cidadão da Polis), a questão de urge ser respondida é: o que prevalece, a vontade individual ou o interesse da comunidade?

O pensamento pré-individualista pressupunha que os interesses da comunidade, estado ou nação, estavam acima dos interesses individuais, pelo que cada um, na sua insignificante individualidade teria de contribuir para o bem geral ou para o bem da nação. Como diria Salazar “tudo pela Nação, nada contra a Nação”. O que é um pensamento claramente régio ou ditatorial. Portanto, o interesse da comunidade (mesmo que este não seja o interesse individual) é a suprema finalidade, o ponto final para que tende todo a actuação humana.
Se por este lado temos, então, toda uma anulação das liberdades de escolha individual, por parte do individualismo temos a valorização do indivíduo, a preponderância da sua racionalidade, o seu livre arbítrio.
A dúvida ainda assim persiste. Sendo o Homem um ser capaz de decidir, de ter iniciativa, de criar o seu próprio destino, é independente dos fins da comunidade?

“A minha liberdade termina quando começa a liberdade de outrem”, já dizia o meu saudoso professor de Filosofia, Júlio Vieira da Silva. Quer isto dizer que a minha liberdade está em permanente negociação com outras tantas liberdades que compõem o todo social. Ora, a unidade social, requer um pouco de cada um, para que o todo se conjugue.

Portanto, o que sai daqui? Se está claro que se deve privilegiar o respeito pela individualidade humana, também é certo que existe uma comunidade que requer se certas individualidades se sobreponham a interesses privados. Isto assim dito parecer um círculo vicioso.
Mas a verdade é que por mais livre que sejamos, e na verdade somos bem mais que há uns anos atrás, estamos sempre condicionados pela sociedade, pela moral e pelos costumes (não quer dizer que sejam bons), pela lei, e pelos determinismos sociais. O meu “eu” é a minha essência mais as minhas circunstâncias. Ora, quer isto dizer, que o indivíduo está em permanente dilema: faço o que me apetece mesmo sabendo as consequências que podem advir ou opto pelo caminho socialmente reconhecido?

A resposta a tal pergunta não me parece que deva ser eu a dá-la, afinal também eu estou a jogar no campo do social vs individual, também eu estou no meu campo de valorizações. Posso apenas dizer que o indivíduo deve agir segundo a sua vontade sem nunca esquecer os atavismos sociais, as grandes normas que mais do que condicionar, regulam a vida em comunidade. Não é perfeito? Pois claro que não! Mas é o melhor que poderemos ter…afinal ninguém pode viver isolado.
Será que algum dos paroquianos quer intervir?

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Roubar para comer



É um caso excepcional eu escrever dois posts no mesmo dia mas há coisas que se nos saltam à emoção e nos obrigam a escrever.

Hoje a minha estimada mãe foi às compras ao LIDL. Tudo isto seria normal não fosse uma situação triste e que espelha muitas coisas que se passam em Portugal.
Na estrada de Benfica existe uma Pizza Hut onde já vi, por diversas vezes, um deficiente motor a ir comprar pizza (a que saiu dos fornos à mais tempo) com as moedas que recebe nos semáforos.
Ora, este mesmo indivíduo, foi hoje apanhado a roubar no LIDL uma lata de salsichas, para comer. O segurança "armado em cowboy da meia-noite" como diz a minha mãe, mandou, aos berros, o deficiente encostar-se à parede. Ora tinha ele medo que o handicap fugisse??? Até a polícia chamou.
A minha mãe, como é costume, interveio dizendo que é inadmissível que se trate assim alguém que roubava para comer e se deixe "um burro espanhol", um imigrante de leste, estar à porta à espera de extorquir dinheiro, a quem acabou de fazer as suas compras.
Será que o acto de roubar para comer não é um caso que deveria merecer a compaixão dos responsáveis pelas cadeias de supermercados? Não é responsabilidade social das empresas? Algo tão falado hoje.
Se o acto de roubar em si é deveras condenável, roubar para comer é um grito surdo de pedido de ajuda...afinal para que tende a comunidade? Criar sentimentos de pertença por meio da entre-ajuda ou criar sentimentos de exclusão?

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bLoG Do MoMeNtO



Muitos de nós bloggers conhecemos os prémios "the bobs - the best of blogs" que visam premiar os melhores blogs da rede. Este ano o prémio recaiu sobre o blog Más respecto que soy tu madre da autoria de uma argentino residente em Barcelona. O blog é uma na verdade uma blognovela de humor que retrata a vida de uma família contada pela ama.
Pego nesta questão para lançar outra: como um blog se torna numa referência? É pelos seus conteúdos ou pela relevância do seu autor? Um misto das duas? Ou simplesmente porque se visita muitos blogs e se recebe elevado feedback?
Hoje em vez de pregar para vós quero ouvir a vossa confissão sobre o assunto.

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Bom Fim_De_Semana#2




Em nome da sagrada Ironia e da Crítica Pura o Convento_da_Crítica deseja aos seus estimados leitores e paroquianos os mais sinceros votos de bom fim-de-semana.

Espera-se que não abusem no consumo de álcool e outras substâncias alucinogénicas a modos que ficarão similares ao Ministro da Saúde...a ver as coisas de pernas para o ar.

Entretanto os mais fiéis da análise jornalística e mediática não se esqueçam de dar um salto à Abadia dos Media onde está em confissão um olhar rápido sobre o jornal DESTAK.

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catequese deslocalizada#1


Por questões de natureza logística e temática a catequese seguinte tem lugar na Abadia dos Media. Os paroquianos habituais ou novos queiram fazer o favor de se dirigir para o espaço indicado.
A gerência.

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IMAGINARIUM#1 A Infância_Idade d'Ouro



Fernando Pessoa definiu a infância como a idade d’ouro, e o “menino de sua mãe” não poderia ter mais razão, porque quando penso na infância as saudades são mil e as recordações maiores do que as emoções.

Há coisas que não têm preço, e as recordações são uma delas. Fecho os olhos e o horizonte alentejano desperta logo em mim. Vila Nova de Milfontes de minha infância, paisagem das memórias…

Quem não lembra as brincadeiras mágicas tardes a fio, acreditando nos mundos que em nós criámos, jogando à bola em sonhos de estádios nos olhos, vivendo à parte da realidade.
Até o mar era diferente, fonte de inúmeras brincadeiras, enquanto a areia era castelo e estádio de uma imensa vontade de conquistar o mundo.

A infância… socialização primária, chave do equilíbrio da pessoa humana, desempenha o principal papel na personalidade em formação. Um mau ambiente familiar, violência doméstica, tudo pode desequilibrar a ténue fronteira entre o futuro risonho e a perdição.

No entanto fornece as melhores recordações e lembranças de todas, as saudades, o mundo mágico que não mais retorna.

E ENFIM A CRIANÇA QUE HÁ EM NÓS VOLTARÁ PARA GOVERNAR O MUNDO COM BONDADE E MAGIA.
(texto publicado no jornal DESTAK)

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Públicos Displicentes - consumir cultura



Na nova classificação dos públicos culturais, sucedente à classificação tradicional de audiências leves e audiências pesadas, uma categoria merece a nossa atenção: os públicos displicentes. Estes possuindo poder económico e formação académica não têm práticas culturais regulares. Ora que motivo leva a pessoas com toda uma bagagem essencial e apta para a compreensão e até consumo de cultura a não estarem disponíveis para a mesma?

Não parece haver resposta fácil. Será porque a cultura não está na moda? Será porque os consumidores de moda são pseudo-intelectuais e vivem de uma aparência de que a cultura é chic?

Creio que a cultura não está devidamente desperta nas pessoas ou estas têm uma errada ideia da mesma. Quer isto dizer, as pessoas não consomem cultura porque preferem consumir televisão e reality shows. Em vez de saírem, se cultivarem, mudarem de ares, libertarem por momentos o espírito do quotidiano as pessoas preferem ficar sentadas no sofá a consumir o pior que a tv dá, isto é, quase tudo o que ela mostra quando se a liga.
Não se esqueçam de visitar a Abadia dos Media, a outra face do Convento.

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Tema Fracturante#3 As escolhas



Será que existe o auto-determinismo ou a escolha humana é determinada por uma força superior que se chama destino? Ou haverá um misto dos dois?

O auto-determinismo herdeiro do iluminismo entende a actuação human
a como livre e consciente e determinada somente pela razão enquanto motor de escolha. Ora isto contrasta com o determinismo divino medieval que entendia a vida humana, e neste sentido as suas escolhas, como escritas no livro do destino, isto implica que a actuação humana só poderia ocorrer de uma determinada maneira, a isso se deu o nome de “fatum”.

No entanto, parecem-me duas posições extremadas o que me leva a crer que um misto dos dois é mais verosímil e neste sentido as nossas escolhas seriam um misto de razão intuitiva na busca de um fim desejado, cujo alcance está ou não destinado a existir.

Então quando escolho, faço-o livremente condicionado, isto é, a condição de exercer dada escolha está remetida às condições sociais e não divinas, se bem que o faça num dado sentido, e tal é uma religião da escolha.

Há por aí alguém com dúvidas existencialistas? O confessionário está aberto.


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«O alargamento europeu é o fim da Europa»



Como os meus paroquianos sabem deixei no ar, antes de ir pregar para outra freguesia de fim-de-semana, um tema que agora retomo.
Os acontecimentos gauleses fizeram-me pensar que "um dia um céu nos cai em cima".
Aqui sou dono e senhor da minha opinião, expresso e expresso-me como muito bem me apetecer.
Eu sou pan-europeu, um europeísta convicto, o que não deve ser confundido com racismo.
Com a adesão de novos países à UE, o alargamento ao leste europeu, corre-se o risco de se perder a identidade europeia. Isto porque esses países não são em nada europeus. Têm uma psicologia soviética, agreste, diferente, inadaptável ao panorâma europeu ocidental.
A Europa quer-se una, uma Federação de países com identidade histórica comum, fechada sobre si, política e economicamente. Os interesses americanos não nos dizem respeito, o comércio com o oriente é uma perda para a Economia europeia, a abertura de mercados em concorrência perfeita e em ganhos mútuos, como preconiza David Ricardo, é um logro.
A abertura ao palco internacional transfronteiriço europeu deve ter por objectivo o auxílio aos povos mais necessitados, interesses geoestratégicos nas áreas da saúde, educação, segurança e alimentação. Nada mais.
A Europa deve ser um grande país, um Império com governos centrais, sem nunca se perder as soberanias individuais. A imigração é feita ao nível interno, um fluxo de translocalização de europeus entre países europeus.
O futuro europeu está por um fio. É preciso mudar a estratégia política ao nível externo, e muito especial da imigração. O futuro europeu passa por governos fortes e profundamente europeístas, não-expansionistas.
O Convento fecha as suas portas. A missa nocturna está dada. Vejam o horário da próxima catequese. Entretanto vão exercitando a crítica e venham lá ao confessionário.

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O alargamento europeu é o fim da Europa



Para além de vos querer desejar bom fim-de-semana e vos lembrar que este Domingo não vai haver missa, o que para as beatas críticas é um problema, deixo-vos com o tema a ser tratado na próxima homilia crítica: O alargamento europeu é o fim da Europa. Pois é vou mesmo regressar aos temas actuais.
Entretanto criei um blog de apoio a este, um blog sobre a actualidade, que tem por objectivo ser uma coluna de opinião. Um blog colectivo. O link é o seguinte: www.conotacoesindependentes.blogspot.com e queria saber a vossa opinião. Vale a pena ir com ele para a frente? E algum de vós estará interessado em colaborar nele? O objectivo é a divisão de dias por bloggers. Quem ficar responsável pela segunda-feira escreve sobre o que de mais relevante se noticiou nesse dia e o tratamento que foi dado.
Há pecadores interessados em colaborar?

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Conferência sobre blogs




Desloquei-me (mais a minha freira de pecados) à Livraria Almediana no Atrium Saldanha para a Conferência dos Blogs subordinada ao tema Percursos e Perspectivas com a presença do Prof. Rogério Santos , do jornalista António Granado, a blogger Joana Amaral Dias e Catarina Rodrigues (da organização do 2º Encontro Nacional de Weblogs).
A referida começou como um acontecimente intelectual, uma discurso de Catarina Rodrigues em tudo chato. António Granado e Joana Amaral Dias deram um "safanão" na discussão e trouxeram a verdadeira blogosfera para a mesa. Contou-nos o seu percurso nos blogs e António Granado lançou questões de evolução dos blogs e do bloguismo como jornalismo, apimentando a noite com tiradas nos media nacionais. O professor Rogério Santos frisou a sua perspectiva diferenciando bloguismo e jornalismo. Paulo Querido e o autor do Blasfémias (lamento não ter fixado o nome) problematizaram o assunto, afirmando uma elite bloguista. Os bloggers são uma elite intectual.
Será que são? Esta pergunta problematizarei mais adiante. No entanto não deixei que a noite fugisse sem que lançasse uma questão para a mesa:
"Boa noite, o meu nome é João Dias, sou estudante de Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa onde o Professor Rogério Santos dá aulas, e embora não tenha a legitimidade dos presentes, dado estar nos blogs há pouco tempo, queria saber a vossa opinião sobre um assunto: quando escrevo nos blogs gozo de plena liberdade de criação ou devo estar adstrito a um código de ética?"
António Garrido agarrou na questão e deixou claro que os bloggers gozam de liberdade total. Postam aquilo que querem, aquilo que a sua consciência lhes dita, e a ironia e crítica social não fazem mal nenhum.
Paulo Querido tocou num ponto nevrálgico, o tempo de firmação de credencial e de credibilidade. O jornalista, político ou personalidade pública que se torna blogger traz consigo uma carga de referência e credibilidade que passa para o blog. O blogger anónimo começa do zero, tem um longo caminho a percorrer. Os mesmos falaram ainda do tempo que leva a credibilidade do blogger a morrer, na medida em que o jornalista tem, nas palavra de Querido, "uma almofada que é o jornal que o protege".
Alguém se quer confessar sobre o sucedido? Vamos lá ao confessionário!

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Tema Fracturante#2 Os Ideais dos Jovens de Hoje



Por enquanto deixo os temas polémicos pelo aborto mas voltarei mais tarde com a Eutanásia. Hoje quero escrever sobre ideais.
Será que os jovens de hoje se movem por ideais ou tão-somente vivem sem lemas e aspirações? Todos nós já ouvimos a tão gasta expressão de que “o sonho comanda a vida”. Mas isto é certo, ou será que é possível vivermos sem sonhos?

Talvez os inícios dos anos 80 e 90 tenham trazido uma nova realidade social juvenil: os jovens sem utopias. Os anos 60 e 70 ficaram marcados pelas juventudes com ideais, pelos anos hippies das contestações sociais, da revolução de ideias, do amor livre, dos excessos de uma vida que procurou ser chocante, mas acima de tudo procurou ser diferente. E foi diferente porque procurou criar uma sociedade nova, mas como todas as utopias são frutos que se foram.
E hoje a juventude é um conjunto de “tribos”, de dreads, betos, freaks, neo-hippies, etc, todos diferentes, todos sem ideais, todos fingindo viver a vida por valores comuns, todos fingindo algo que não sabem bem o quê.

E o que falta aos jovens são ideais, de resto já têm tudo, e talvez por isso não tenham ideais, porque a sociedade de consumo aniquilou as motivações. Porque os ideais nascem do desejo de criar ou mudar algo… e os jovens de hoje não ousam.
E porque não ousam não vivem verdadeiramente o sonho da juventude em Verões Quentes.
(texto publicado no jornal DESTAK)

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Próxima edição de TEMAS FRACTURANTES


Não percam a próxima Homilia Crítica sobre os "ideais dos jovens de hoje", no sítio do costume, o vosso Convento de Confissões.

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Terrorismo Urbano - les banlieus de Paris


Paris é uma cidade a ferro e fogo. E o momento de crise interna que a França atravessa, há muito que eu o prevejo em conversas com familiares e amigos. Mais tarde ou mais cedo os confrontos teriam de ter lugar. E ainda assim pensei que seria bem pior.
Certamente que os acontecimentos só poderiam ter lugar em França. Historicamente é o país das mudanças, das confrontações, dos insurgimentos. Depois, e acima de tudo, França é um país que sofre com graves problemas de imigração e teias de subtis confrontos étnicos. Os imigrantes de origem muçulmana correspondem a uma boa fatia populacional e vivem à conta da Segurança Social francesa, outrora a melhor da Europa.
Apresentam 14 filhos o que lhes permite assistir à vida dos bancos de jardim. E depois os franceses de 3ª geração arriscam-se a não ter apoios, apoios esses gastos em numerosos não-cidadãos.
Não é de admirar que Monsieur Le Penn tenha tantos apoiantes...ou será?
A Europa sofre de uma crise igual ao pós-I Guerra Mundial, em que os nacionais socialismos emergiram em países à beira do suicídio psicológico.
Situações extremas requerem medidas extremas, não é hora de meditar, reflectir...é tempo de agir. Não queremos chegar ao extremo de que Hitler pense em voltar mas também não podemos fechar os olhos e fingir que são pobres coitados ex-colonizados que sofrem de recalcamentos. Essa desculpa não pega, está batida, teve o seu lugar na História, é lugar-comum demais.
Não queremos que o poder caia nas mãos da extrema direita mas não podemos ver a Europa afundar-se qual Titanic. É preciso uma Europa de europeus, um pan-europeísmo. Chega de tapar o sol com a peneira.
Mais países na UE? Porque não convidar a Al-Qaeda para o Conselho de Guerra?
Certamente o Conselho da União Europeia está a precisar vir aqui confessar-se...ora serei eu capaz dos absolver?

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O Pregador Soares



O Pregador Mário Soares, ao apresentar o seu projecto de campanha, fez lembrar um esquema já conhecido. Certo é que o Pecador Cavaco não tem entrada no Convento-da-Crítica e, se Manuel Alegre não puder ganhar, é óbvio que espero que ganhe Soares. Mas ainda assim há coisas que cheiram a 'mofo'.Na época, as presidências abertas, foram uma inovação, a sua estatégia de campanha, de sedução dos media, a sua magistratura de influências era notável, mas precisará o povo de um pregador que já pregou todos os seus sermões?
Vão estando atentos porque a próxima catequese vai ser sobre os confrontos em França...e ninguém vai querer faltar...
Vamos à confissão então?

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Bom Fim_De_Semana#1




Foi como um ar que lhe deu esta semana partida. E mais um fim-de-semana se aproxima, este que prevejo menos bom do que o anterior. Afinal no anterior fui para Constância a modos que a RTP África fizesse connosco a sua reportagem.


Fogem-se os dias da semana ao sabor do trabalho envenenado,
E as brumas de sexta-feira abrem nos céus
A matinal Primavera que é o fim-de-semana.
Não se esqueçam de vir no Domingo à missa, aqui, no seu sítio do costume, Convento-da-Crítica. Entretanto, paroquianos, não se esqueçam de deixar a vossa confissão sobre o Aborto, catequese abaixo.

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Tema Fracturante#1 O Aborto


Deveremos aceitar a legitimidade do aborto em todas as situações? Deverá o aborto ser legal?

Eu sou a favor do aborto, mas em certas excepções, (não me refiro a andar aí a abortar a torto e a direito), em casos muito concretos.
Desaprovo totalmente a visão da Igreja que defende o total direito à vida em toda e qualquer situação. É natural, não são eles que têm de sustentar as crianças. Tal como não concordo com o ditado popular “de onde come um, comem dois ou três”. Impossível.

Para mim o aborto é então concebível em casos de: incapacidade financeira de concreta e benéfica sustentação do feto em formação, em casos de má formação do feto, em casos de gravidez por violação, ou mãe adolescentes.
Quando falo em má formação do feto, entendo que um feto em formação não é vida, como não é vida uma pasta de sangue comum. E não é vida no sentido em que não tem emoções nem convicções. Creio profundamente, e a experiência no contacto com os outros serve-me de base, que o nascimento de uma criança deficiente é um egocentrismo maternal e paternal, uma satisfação inconsciente do desejo de ser mãe e pai, um desrespeito pela infelicidade que acompanhará aquela criança toda a vida, ao olhar ao redor e ver que não é normal. Não nos podemos pôr no papel dos pais contentes pelo nascimento, pois verdade seja dita, bem podem fazer outro, mas no papel da criança deficiente, que cedo se apercebe das suas incapacidades comunicativas e físicas, que a diferem das outras crianças, pois todos sabemos o quão cruéis podem ser as crianças.

Nem tão-somente se trata de um direito à diferença, que defendo claramente, mas de uma certeza de infelicidade futura, Que pessoa gostaria de acordar e ver que é diferente? Que não pode fazer o que os outros fazem? Que nunca vai saber o que é amor e o prazer sexual?
O amor maternal e paternal não dura para sempre. E quando os pais morrem, quem cuidará do incapacitado?

Não só preconceituoso nem intolerante, muito pelo contrário… mas tento-me por no lugar do handicap. Antes de comentarem façam o mesmo.

(Texto Publicado no jornal DESTAK)

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A convite dos actores lá fomos ao Maria Vitória, Parque Mayer, ver a Revista é Liiinda.Foi com nostalgia que voltei a entrar no Parque Mayer, onde a noite tem mais cheiro de Lisboa, onde o passado mora no presente. Sentei-me nas cadeiras brancas e olhei em volta. Mais uma vez a sala mais vazia que cheia, e por acaso tudo menos casual, 90% era a convite. Actores, actrizes, familiares dos revisteiros, e fadistas.
E o povo apesar de tudo adora a revista. A revista criticando faz pensar, divertindo faz rir, emocionando faz chorar. Foi bom voltar a ti Maria Vitória. A revista em palco não tem o brilho de outras, sendo contudo melhor que o Arre Potter que é demais, não se assemelha a Tem a palavra a revista, por exemplo.No entanto vale a pena ir ver.Certamente irei de novo. O cantor Beto esteve muito bem, com sua voz característica, com belas melodias, encheu o Maria Vitória de som. José Raposo levou à perfeição a interpretação de José Carlos Ary dos Santos, um momento histórico no Parque Mayer.
Com texto de Nuno Nazareth Fernandes e Mario Rainho, nota-se uma sequência, uma adaptação de textos a estruturas cénicas anteriores. Um desleixo que denota a falta de novidade e mudança. Fátima Severino está, quanto a mim, a mais na Revista, mas isso eu sei bem porquê. Favores em cadeia.
A intenção de homenagear os poetas é boa mas talvez não tenha sido feita da melhor maneira. É uma boa peça, mas não está ao nível das anteriores.
Ainda assim vão e deliciem-se com a revista, porque a revista não pode morrer.

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Caros paroquianos,

Eis-me aqui pela obra e graça do
Zé Macaco, depois de ter passado por outras freguesias e ter roubado o dízimo aos ilustres leitores.

E como o tempo também se engana eu ao sabor das suas mudanças mudei-me para aqui. Sejam devotos e acompanhem o Convento da Crítica, mas baixinho...xiu...a missa vai a meio e a procissão ainda vai no adro...

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