É um caso excepcional eu escrever dois posts no mesmo dia mas há coisas que se nos saltam à emoção e nos obrigam a escrever. Hoje a minha estimada mãe foi às compras ao LIDL. Tudo isto seria normal não fosse uma situação triste e que espelha muitas coisas que se passam em Portugal.
Na estrada de Benfica existe uma Pizza Hut onde já vi, por diversas vezes, um deficiente motor a ir comprar pizza (a que saiu dos fornos à mais tempo) com as moedas que recebe nos semáforos.
Ora, este mesmo indivíduo, foi hoje apanhado a roubar no LIDL uma lata de salsichas, para comer. O segurança "armado em cowboy da meia-noite" como diz a minha mãe, mandou, aos berros, o deficiente encostar-se à parede. Ora tinha ele medo que o handicap fugisse??? Até a polícia chamou.
A minha mãe, como é costume, interveio dizendo que é inadmissível que se trate assim alguém que roubava para comer e se deixe "um burro espanhol", um imigrante de leste, estar à porta à espera de extorquir dinheiro, a quem acabou de fazer as suas compras.
Será que o acto de roubar para comer não é um caso que deveria merecer a compaixão dos responsáveis pelas cadeias de supermercados? Não é responsabilidade social das empresas? Algo tão falado hoje.
Se o acto de roubar em si é deveras condenável, roubar para comer é um grito surdo de pedido de ajuda...afinal para que tende a comunidade? Criar sentimentos de pertença por meio da entre-ajuda ou criar sentimentos de exclusão?