
O posicionamento de um indivíduo na sua comunidade está dependente da forma como ele a vê. É o olhar do leitor social que define que espécie de actor social ele quer ou pretende ser.
Partindo do pressuposto de que o sujeito é um actor social sem comportamentos que possam ser tidos como desviantes, ser político (no sentido de cidadão da Polis), a questão de urge ser respondida é: o que prevalece, a vontade individual ou o interesse da comunidade?
O pensamento pré-individualista pressupunha que os interesses da comunidade, estado ou nação, estavam acima dos interesses individuais, pelo que cada um, na sua insignificante individualidade teria de contribuir para o bem geral ou para o bem da nação. Como diria Salazar “tudo pela Nação, nada contra a Nação”. O que é um pensamento claramente régio ou ditatorial. Portanto, o interesse da comunidade (mesmo que este não seja o interesse individual) é a suprema finalidade, o ponto final para que tende todo a actuação humana.
Se por este lado temos, então, toda uma anulação das liberdades de escolha individual, por parte do individualismo temos a valorização do indivíduo, a preponderância da sua racionalidade, o seu livre arbítrio.
A dúvida ainda assim persiste. Sendo o Homem um ser capaz de decidir, de ter iniciativa, de criar o seu próprio destino, é independente dos fins da comunidade?
“A minha liberdade termina quando começa a liberdade de outrem”, já dizia o meu saudoso professor de Filosofia, Júlio Vieira da Silva. Quer isto dizer que a minha liberdade está em permanente negociação com outras tantas liberdades que compõem o todo social. Ora, a unidade social, requer um pouco de cada um, para que o todo se conjugue.
Portanto, o que sai daqui? Se está claro que se deve privilegiar o respeito pela individualidade humana, também é certo que existe uma comunidade que requer se certas individualidades se sobreponham a interesses privados. Isto assim dito parecer um círculo vicioso.
Mas a verdade é que por mais livre que sejamos, e na verdade somos bem mais que há uns anos atrás, estamos sempre condicionados pela sociedade, pela moral e pelos costumes (não quer dizer que sejam bons), pela lei, e pelos determinismos sociais. O meu “eu” é a minha essência mais as minhas circunstâncias. Ora, quer isto dizer, que o indivíduo está em permanente dilema: faço o que me apetece mesmo sabendo as consequências que podem advir ou opto pelo caminho socialmente reconhecido?
A resposta a tal pergunta não me parece que deva ser eu a dá-la, afinal também eu estou a jogar no campo do social vs individual, também eu estou no meu campo de valorizações. Posso apenas dizer que o indivíduo deve agir segundo a sua vontade sem nunca esquecer os atavismos sociais, as grandes normas que mais do que condicionar, regulam a vida em comunidade. Não é perfeito? Pois claro que não! Mas é o melhor que poderemos ter…afinal ninguém pode viver isolado.
Será que algum dos paroquianos quer intervir?