Tema Fracturante#5 Hábitos de Leitura em Portugal
Redigido Quinta-feira, Novembro 24, 2005 pel' Eremita Baptista | Envie este post por e-mail
Apesar de Portugal apresentar um IVA de 5% sobre os livros, valor superior ao verificado nos países nórdicos, por exemplo, não é por tal facto que a leitura em Portugal anda pela hora da morte.
A colecção Milfolhas do jornal "O Público" vendeu em 6 meses, no ano de 2002, 2 milhões de livros.
Ainda assim, grosso modo, estamos perante um logro. Mesmo juntando a isto o volume de vendas da FNAC de 2.000 livros por dia, está claro que existe um fosso entre o acto de comprar um livro e o acto de o ler.
É portanto falacioso afirmar que em Portugal imperam bons hábitos de leitura. Quando a média europeia, no ano de 2002, apontava para os 60%, a taxa de leitura em Portugal não ia além de uns míseros 32%, isto para a leitura de um livro por ano.
Em 2003, 56% dos inquiridos não tinham adquirido qualquer livro para ler nas férias. Ora se a época balnear(altura de férias por excelência) é o momento oportuno para que se adquiram ou retomem hábitos de leitura, e se o resultado obtido é este, então, podemos considerar gritante o panorâma cultural literário nacional.
E o pior é que nem jornais, as "ilustres" almas lusitanas, tomam por opção de leitura. Então porque motivo em 2004 foram colocados nas prateleiras mais de 16.000 novos títulos? Por uma razão muito simples: os portugueses não lêem mas compram livros. Contraditório? Não creio. No país das aparências quem compra um livro é culto, quem o lê, coisa rara, é intelectual.
Alguém quer-se confessar?