
momento é mais do que oportuno, segundo creio, para que este post seja criado.
Às turras andam eles, quais gladiadores na arena, em trocas de palavras que o vento leva e o ouvinte esquece. É de novo o tempo da prostituição política. Não vou falar mais uma vez deste ciclo português de revivalismo, vou falar do voto em si mesmo.
Quando o cidadão se dirige às urnas como vota ele? No partido em que acredita? No partido de oposição só para castigar os que lá estão? A pensar no bem comum? De forma útil? Ou nada disto?
Coloco em mesa três formas de voto: útil, comunitário e partidário. O voto útil é aquele que damos ao menos mau dos candidatos, ao que se presume que seja o vencedor mais indicado para além da nossa preferência. É quando se voto no PS só para o PSD não ganhar, e somos do CDU. É um voto correcto? Não sei mas leal não é. Ainda assim é o voto mais corrente, o mais pragmático. É aquele voto que sabemos que faz a diferença quando estamos consciente que o nosso partido de eleição não vai levar a dele avante.
O voto comunitário é aquele que resulta de uma análise cuidada dos programas eleitorais e de uma atenta compreensão das necessidades da comunidade. O voto que não existe.
Depois temos então o partidário, o mais eloquente, o levado ao coração, o que resulta das crenças políticas puras. É quando votamos PS consciente, CDU, CDS-PP, PSD, etc, porque é o partido da nossa ideologia. É o voto fiel aos nosso princípios, mesmo quando sabemos que o partido não tem expressão.
E que voto fazem os portugueses? Um misto de todos e um pouco de nenhum. A maioria vota nos rostos e na melhor estratégia de marketing político, ou seja, naquele que for melhor vendido. Vota também na oposição para demonstrar o seu desagrado para com os governantes, mesmo quando lá no fundo pensam "a merda é a mesma".
O verdadeiro voto, o consciente, o fiel a princípios ainda não está automatizado e consciencializado...se estive será que o CDU não teria mais votos? Afinal já ouvimos dizer várias vezes "voto PS porque sei que os comunistas não podem ganhar!"
Iremos um dia chegar ao voto político puro?